Ritual & Performance é um território de interfaces vários, de trajectos múltiplos e de destinos indecifráveis. É um lugar de discussão, criação e testemunho de ideias e materiais, formas e objectos, debates e conceitos que possam amplificar o espaço de existência de uma disciplina académica. Nasce num Departamento de Antropologia (ISCTE, Lisboa) mas propõe-se ser um projecto interdiscipinar e sem fronteiras.
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Ritual, Schechner e performance
Regina Pollo Muller é uma antropóloga e artista cujos trabalhos de investigação se destacam pela sua postura de observadora participante, nomedamente no processo de criação e montagem da peça teatral YokastaS.
O interesse que este artigo me suscitou relaciona-se com o facto de conter descrições de experiências em múltiplos contextos culturais vivenciadas pela própria antropóloga. Esta possibilidade de participação directa nos variados dilemas da criação colectiva confere a estas descrições uma enorme riqueza e complexidade.
A antropóloga participou em vários rituais dos Asuriní do Xingu, adoptando os adereços e comportamentos performativos típicos num cenário ritual mágico onde o ser humano e o ser mítico muitas vezes se confundem.
A experiência de ter participado/convivido em rituais indígenas permitiu-lhe conhecer, reflectir e produzir conhecimento que nos permitem ter acesso a culturas tão diferentes da nossa mas, sem dúvida, de grande riqueza cultural.
Joana Mendonça
Em relação ao texto "Ritual, Schechner e Performance", gostava de dizer que fiquei surpreendida com o percurso da autora. Deve ter sido um grande processo de aprendizagem e um privilégio trabalhar com peritos na materia. Acho que ela aproveitou ao máximo a experiência e através da escolha das palávras, ela tenta passar-nos o que ela sentiu. Na minha perspectiva, esse cuidado na escolha de palavras foi um exito, visto que na altura em que ela estava a descrever a sua participação em rituais do Asuriní do Xingu, onde ela usava vários adereços pesados e do meu ponto de vista fora de comun,consegui por momentos criar uma imagem dela e visualizar esse cenário.
Todavia, um assunto que me fez questionar, foi o facto de ela ter sido escolhida como observadora no grupo de teatro de East Company of Artists, de Richard Schechner. Ela não manifestava a sua opinião, mas estava constantemente a observar os outros, o que me fez pensar se essa não podia ter sido uma desvantagem para o processo como um todo? Será que os membros do grupo não se sentiram incomodádos com a presença constante de um par de olhos a segui-los constantemente? Será que não os impediu de agir de certa forma?
Estas foram algumas das perguntas que surgiram enquanto estava a ler o texto, e optei por partilha-las aqui.
Eu confesso que, de início, não gostei muito deste texto, pois pareceu-me um pouco maçador. Mas acabei por achar interessante, pelo facto da autora ter feito o trabalho de campo como observadora participante e, principalmente, pelos depoimentos da mesma acerca da sua experiência, tão rica culturalmente, por toda a sua sua diversidade.
Nota: estava-me a referir ao texto que as minhas colegas aqui comentaram.
Sobre o texto "Ritual, Schechner e Performance", tenho a dizer que o achei interessantissimo... A vida da autora mereceu de facto ser dada a conhecer, porque é brilhante... Cheia de destalhes e de uma riqueza inigualavel. De facto, por momentos, também visualizei essa imagem, tal era a forma descrita.
Gostei muito do texto e da forma como estava descrito, pois foi-nos possivel ver, ou ter conhecimento de uma vida e de uma historia fantastica.
O que me surpreendeu foi a repulsa à linguagem e os "ritos acadêmicos", em favor a uma linguagem dramática e até mais rica em significados. Na minha opinião, a autora quis demonstrar que os ritos são maneiras de compreender os factos e de transmitir experiências, mesmo que esta adquiram um significado diferente. Possivelmente o ritual para ela é uma maneira de passar sua experiência entre os indígenas e de sua vida para as pessoas, contudo se as pessoas não estiverem abertas à este tipo de comunicação acaba por ser um acto singular, sem a participação do indíviduo como "actor social" ou observador (aquele que interagem), o ritual perde parte de sua essência de manifestação do ser.
E se formos mais "mão do carrasco"-utilizando a expressão de Raul Seixas-(largo, raso e profundo), a autora ainda remete o principal problema dos perfomance studies: Como explicar o significado de acto que têm razões e mecanismo próprios? Utilizando uma outra razão (científica), com seus próprios mecanismo?
A saída da autora é descrever sua experiência e a sua mudança de postura (os rituais que marcaram a vida dela entre os índios e entre acadêmicos/actores), através de "sua" própria linguagem, onde suas sensações/percepções estão em primeiro plano, tanto descritivo como crítico.
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